05 Novembro 2010

Ao longo dos últimos dias, motivado pelas interacções que tenho vindo a ter com os meus orientadores, fiz alguns ajustes em relação ao tema do meu trabalho e consequente objecto de estudo. Por vários motivos que irei ter oportunidade de expor nas futuras intervenções no blog, foi introduzido uma nova dimensão no enquadramento desta proposta de dissertação: o multi-touch, nomeadamente, o estudo da forma como esta categoria específica de interfaces pode colaborar na diminuição da exclusão digital por parte do cidadão sénior. Por agora, o meu enquadramento teórico terá a seguinte forma:

  1. Gerontologia
    1. Contexto Psicossocial
    2. Exclusão Digital
      1. Ageism
      2. Techno-ageism
  2. Comunicação Mediada por Computador 
    1. Comunidades Online
      1. Sociabilidade e Usabilidade
      2. Presença Sénior nas Comunidades Online – o caso seniorNET
  3. HCI – Tecnologias de interacção
    1. Evolução dos paradigmas do HCI
      1. "Easy to Learn, Easy to Use" – o Primado da Eficiência
      2. Do Usável ao Desejável – o Primado da Experiência
      3. Community Centered Design
    2. Tecnologia Multi-táctil
      1. Princípios do Design Multi-táctil
        1. Enquadramento dos Dispositivos de Entrada (Directa/Indirecta)
      2. Multi-táctil na Inclusão Digital
      3. Multi-táctil  e Ergonomia/Hedonomics

 

 


07 Outubro 2010

Esta semana tem sido um caos, pelo que vou dar respostas algo sintéticas às perguntas colocadas na actividade de projecto/dissertação da última aula:

P.  porque escolhi esta temática?

R. Esta é justamente uma resposta difícil de sintetizar, mas a resumiria aos seguintes factos:

· O meu interesse de longa data pelas questões da interacção – como prova anedótica desse facto, tenho a memória de aos 12 anos estar a ajudar o meu pai a acertar a hora no videogravador da sala, ao mesmo tempo que considerava que teria de haver uma forma mais lógica, inteligente e acessível de o fazer. Olhando para os artefactos tecnológicos actuais, penso que a necessidade de se criar formas de interagir com eles da tal forma mais lógica, inteligente e acessível continua a ser um problema real.

· A minha formação como designer gráfico, que me permite trabalhar este tipo de projectos numa dimensão estética e emocional que considero serem fundamentais para a criação da melhor experiência de uso possível.

· A minha visão sobre a responsabilidade social do design, sendo que este projecto adequa-se à minha intenção de aplicar o meu interesse pelas problemáticas associadas à interacção num caso com potencial impacto numa comunidade real.

 

P. Que título daria, neste momento, à minha investigação?

R1. "Apropriabilidade na criação de interfaces para uso de cidadãos seniores"

R2. "Impacto da usabilidade na adopção das TIC por parte dos cidadãos seniores "

R3. "Usabilidade e emoção na criação de interfaces para uma rede social de cidadãos seniores"

 

P. Gonna do, not gonna do?

R. Uma vez que este trabalho será realizado provavelmente numa lógica de "user centered design", irei seguramente contactar e trabalhar em conjunto com vários idosos e funcionários de diferentes instituições na construção da minha solução de interacção; terei também de pesquisar e construir um corpo teórico em torno de conceitos como interacção, comunidade e acessibilidade. Algo que não farei: desistir do projecto.

P. Perhaps I'll do?

Observar a adequação das actuais metodologias de aferição de usabilidade em relação ao público-alvo e propor soluções alternativas; Considerar a avaliação de usabilidade segundo uma visão de "apropriabilidade".

P. Don't have clues?

Não faço ideia: das dificuldades que vou encontrar, da minha capacidade para a concretização do projecto, do efeito real que terá na comunidade, de quase tudo o resto.


28 Setembro 2010

Após um ano de hiato, retomo este blog – tal como retomei também a minha intenção de prosseguir o meu trabalho neste mestrado. Ao contrário do que aconteceu no ano passado, parto para este desafio com uma ideia muito mais clara do que pretendo fazer; todavia, as dúvidas, em relação ao que vou encontrar no percurso, mantém-se.

Este trabalho de mestrado vai estar integrado no projecto SEDUCE, cujo principal objectivo é "avaliar o impacto dos efeitos não cognitivos mediante o uso das TIC entre cidadãos seniores em contexto de comunidade social on-line e construir uma comunidade social on-line com a participação do cidadão sénior", sendo que o meu papel será o de desenhador da interacção dos serviços associados a este portal. Já em situações anteriores me havia debruçado sobre o papel das TIC na vida do cidadão sénior – claramente existe trabalho a fazer na sociedade para a integração desta camada da população (cujo número é cada vez maior) – pelo que a oportunidade de colaborar activamente num projecto nesta área, dotado já de um programa e de uma equipa multidisciplinar motivada, se mostrou irrecusável.

Realizar um projecto de design destinado aos idosos é, em certo sentido, inqurir sobre problemas que também afectam, em maior ou menor escala, o resto da população. Não só a ancianidade é uma condição inevitável – logo relevante – como também as questões cognitivas e emocionais ligadas à experiência do uso dos artefactos tecnológicos também se aplicam a toda uma camada da população que não é tecnologicamente literata. Para além de ser uma questão de responsabilidade social, procura-se um pensamento da relação (ou apropriação) do homem em relação ao artefacto digital, este próprio em constante mudança.

O projecto SEDUCE antecede e transcende o trabalho que vou realizar neste mestrado, pelo que a minha principal expectativa é a de conseguir que a minha colaboração se traduza, o mais possível, num contributo real para a qualidade de vida dos milhares de idosos existentes no país.

Realizou-se já a primeira reunião com os orientadores (Ana Veloso e Nuno Dias), bem como com a colega Jessica Simões, mais o seu orientador, Óscar Mealha, sendo que as principais decisões tomadas relacionaram-se com a calendarização das reuniões de trabalho e temática das leituras iniciais.

 


06 Novembro 2009

Tal como a (in)actividade deste blog revela, por motivos diversos tenho-me vindo a ostracizar do processo de construção do meu projecto de dissertação. Só recentemente consegui. com a ajuda dos meus orientadores, arrastar-me para fora de um estado de indefinição que nesta fase do processo se pode ditar como fatal. 

 

Para tal, concretizou-se uma mudança de tema (faço questão que seja a última) que, ainda mantendo a capacidade de dar resposta às minhas inquietações sobre a problemática e visão do design de interacção, se afigura como um projecto mais concreto, focado e – espero – relevante.

 

Embora se assista no domínio do HCI a mudanças axiomáticas no sentido de uma progressiva maior valorização de dimensões oriundas de disciplinas como o design, importa saber se essa transformação no pensamento académico se reflecte em alguma mudança nos curricula dos estabelecimentos de ensino, e consequentemente, na visão e práticas que os estudantes e futuros profissionais da engenharia ou do design possuem acerca das qualidades não-instrumentais dos interfaces informáticos.

 

Assim, mantendo o meu foco de estudo sobre o design de interacção, pretendo aprofundar as diversas vertentes que o caracterizam e como estas se apresentam nos programas educativos de uma selecção de cursos de universidades portuguesas.

 

Apresento em versão esquemática a tentativa de índice da minha dissertação. Havia escrito um comentário sobre porque não usarei o Prezi, mas a página bloqueou ej á é tarde para o escrever de novo.

 

 

 

Indice de dissertação

21 Outubro 2009

  · Título da minha investigação 

Por agora poder-se-à chamar "Influência da estética na experiência de uso de um interface gráfico", ou simplesemente "Beautiful things work better".

 

 · Gonna do's; Not gonna do's; Perhaps i’ll do; Don’t have clues.

Neste momento o meu trabalho encontra-se num terreno ainda algo pantanoso. Apesar de ter uma uma ideia clara acerca da temática que quero estudar, e da formação que pretendo obter com este trabalho, ainda me falta definir qual o meu objecto de estudo, bem como a abordagem metodológica. Também a vastidão dos conceitos de base da minha investigação (estética, interacção, usabilidade, emoção) fazem com que se adivinhe um trabalho de grande complexidade. Uma decisão que ainda não tomei, (mas que será tomada muito para breve), é a da eventualidade de fazer um case study de um projecto de remodelação de interfaces para a PT Inovação, no qual trabalho há já alguns anos, e que concebi de forma a ser tão completo quanto o possível em múltiplas dimensões do design (segundo a definição de Donald Norman), para lá da mera eficiência proporcionada pela boa usabilidade. Objectivo fundamental para agora: focalizar ao máximo o meu objecto de estudo, de forma a conseguir fazer este mestrado dentro do tempo que actualmente tenho disponível.


16 Outubro 2009

 Car@s,

 

O meu nome é Ivo Daniel, e este blog será um retrato pouco pessoal da minha passagem pelo 2.º ano do Mestrado de Comunicação Multimédia do Departamento de Comunicação e Arte, Universidade de Aveiro. Estando eu pouco habituado a expressar-me através deste meio, vou esforçar-me para que as intervenções aqui feitas sejam relevantes, interessantes ou, pelo menos, inteligíveis.

 

De acordo com aquilo que presumo vir a ser uma situação recorrente ao longo deste ano, abaixo dou resposta às questões lançadas pela Orientação de Mestrado, isto é, já fora do prazo:

 

· Porque escolhi esta temática?

 

O tema escolhido, e que adiante descrevo, parte de inquietações que tenho vindo a desenvolver tanto no exercício da minha actividade como designer gráfico como, acima de tudo, de pessoa que retira prazer no uso de artefactos do quotidiano bem desenhados.

 

Desde o acordar, a imensa quantidade de objectos que me rodeia e dos quais necessito para a minha rotina influencia, invariavelmente (mesmo de forma inconsciente) a minha maneira de estar – ainda que estando perfeitamente consciente da sua utilidade e funcionalidade. A roupa com que saio de manhã de casa é um bom exemplo disso: sei objectivamente quais as peças que me irão proteger melhor do frio, ou do calor, dependendo da situação meteorológica que irei enfrentar. Mas também sei que a roupa tem uma influência mais subjectiva, emocional, na maneira como me vou sentir nesse dia: mais ou menos confiante, mais ou menos descontraído. O benefício que retiro em utilizar uma combinação que me agrade, que esteja de acordo com as minhas referências estéticas, vai muito mais além do que a mera eficácia do material com que a roupa é feita ou do rigor com que é fabricada.

 

O conceito de que os valores estéticos dos artefactos possuem propriedades emocionais, e que essas propriedades alteram necessariamente a nossa forma de agir e tomar decisões é uma ideia arredada de grande parte da história do estudo do Human Computer Interaction. Disciplina originária na área da Engenharia Informática, o estudo do HCI (bem como de disciplinas derivadas, como a Usabilidade) tem-se focado no estudo de factores que aumentem a eficácia do uso de interfaces informáticos, tendo sido produzida imensa literatura onde se discorrem regras, heurísticas e guidelines que, se seguidas como se de receitas se tratassem, necessariamente criariam interfaces mais usáveis.

 

O pressuposto da maior parte da literatura HCI, e que acredito estar incorrecto, é que o de uso de um interface por parte de uma pessoa (vou começar a evitar o termo “utilizador”) é um processo essencialmente racional, que é possível definir através do controlo de variáveis quantificáveis. No entanto, investigações actuais em várias disciplinas (como a psicologia e a neurologia) avançam no sentido de confirmar que o processo humano de tomada de decisão é muito mais influenciado por factores emocionais do que inicialmente se suspeitaria. O que na disciplina do design já se sabe há muito (se bem que de forma intuitiva) deve também fazer parte do estudo do HCI: o belo e o agradável têm uma influência definitiva na experiência final que uma pessoa tem no uso de um interface. E eis o motivo da escolha do meu tema: interesse em compreender de uma forma mais rigorosa uma atitude imprescindível na actividade de um designer de interfaces: a preocupação , intuitiva ou explícita, em criar interfaces não apenas usáveis, mas também desejáveis.

 

· Qual a pergunta de partida da minha investigação?

Relativamente à definição do âmbito concreto do meu trabalho, quase tudo está por definir; a pergunta que arriscaria fazer neste momento seria: “Qual a influência dos factores estéticos na experiência de uso de um interface gráfico?”

 

(Restantes perguntas/respostas para muito breve)


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