21 Outubro 2009

  · Título da minha investigação 

Por agora poder-se-à chamar "Influência da estética na experiência de uso de um interface gráfico", ou simplesemente "Beautiful things work better".

 

 · Gonna do's; Not gonna do's; Perhaps i’ll do; Don’t have clues.

Neste momento o meu trabalho encontra-se num terreno ainda algo pantanoso. Apesar de ter uma uma ideia clara acerca da temática que quero estudar, e da formação que pretendo obter com este trabalho, ainda me falta definir qual o meu objecto de estudo, bem como a abordagem metodológica. Também a vastidão dos conceitos de base da minha investigação (estética, interacção, usabilidade, emoção) fazem com que se adivinhe um trabalho de grande complexidade. Uma decisão que ainda não tomei, (mas que será tomada muito para breve), é a da eventualidade de fazer um case study de um projecto de remodelação de interfaces para a PT Inovação, no qual trabalho há já alguns anos, e que concebi de forma a ser tão completo quanto o possível em múltiplas dimensões do design (segundo a definição de Donald Norman), para lá da mera eficiência proporcionada pela boa usabilidade. Objectivo fundamental para agora: focalizar ao máximo o meu objecto de estudo, de forma a conseguir fazer este mestrado dentro do tempo que actualmente tenho disponível.


16 Outubro 2009

 Car@s,

 

O meu nome é Ivo Daniel, e este blog será um retrato pouco pessoal da minha passagem pelo 2.º ano do Mestrado de Comunicação Multimédia do Departamento de Comunicação e Arte, Universidade de Aveiro. Estando eu pouco habituado a expressar-me através deste meio, vou esforçar-me para que as intervenções aqui feitas sejam relevantes, interessantes ou, pelo menos, inteligíveis.

 

De acordo com aquilo que presumo vir a ser uma situação recorrente ao longo deste ano, abaixo dou resposta às questões lançadas pela Orientação de Mestrado, isto é, já fora do prazo:

 

· Porque escolhi esta temática?

 

O tema escolhido, e que adiante descrevo, parte de inquietações que tenho vindo a desenvolver tanto no exercício da minha actividade como designer gráfico como, acima de tudo, de pessoa que retira prazer no uso de artefactos do quotidiano bem desenhados.

 

Desde o acordar, a imensa quantidade de objectos que me rodeia e dos quais necessito para a minha rotina influencia, invariavelmente (mesmo de forma inconsciente) a minha maneira de estar – ainda que estando perfeitamente consciente da sua utilidade e funcionalidade. A roupa com que saio de manhã de casa é um bom exemplo disso: sei objectivamente quais as peças que me irão proteger melhor do frio, ou do calor, dependendo da situação meteorológica que irei enfrentar. Mas também sei que a roupa tem uma influência mais subjectiva, emocional, na maneira como me vou sentir nesse dia: mais ou menos confiante, mais ou menos descontraído. O benefício que retiro em utilizar uma combinação que me agrade, que esteja de acordo com as minhas referências estéticas, vai muito mais além do que a mera eficácia do material com que a roupa é feita ou do rigor com que é fabricada.

 

O conceito de que os valores estéticos dos artefactos possuem propriedades emocionais, e que essas propriedades alteram necessariamente a nossa forma de agir e tomar decisões é uma ideia arredada de grande parte da história do estudo do Human Computer Interaction. Disciplina originária na área da Engenharia Informática, o estudo do HCI (bem como de disciplinas derivadas, como a Usabilidade) tem-se focado no estudo de factores que aumentem a eficácia do uso de interfaces informáticos, tendo sido produzida imensa literatura onde se discorrem regras, heurísticas e guidelines que, se seguidas como se de receitas se tratassem, necessariamente criariam interfaces mais usáveis.

 

O pressuposto da maior parte da literatura HCI, e que acredito estar incorrecto, é que o de uso de um interface por parte de uma pessoa (vou começar a evitar o termo “utilizador”) é um processo essencialmente racional, que é possível definir através do controlo de variáveis quantificáveis. No entanto, investigações actuais em várias disciplinas (como a psicologia e a neurologia) avançam no sentido de confirmar que o processo humano de tomada de decisão é muito mais influenciado por factores emocionais do que inicialmente se suspeitaria. O que na disciplina do design já se sabe há muito (se bem que de forma intuitiva) deve também fazer parte do estudo do HCI: o belo e o agradável têm uma influência definitiva na experiência final que uma pessoa tem no uso de um interface. E eis o motivo da escolha do meu tema: interesse em compreender de uma forma mais rigorosa uma atitude imprescindível na actividade de um designer de interfaces: a preocupação , intuitiva ou explícita, em criar interfaces não apenas usáveis, mas também desejáveis.

 

· Qual a pergunta de partida da minha investigação?

Relativamente à definição do âmbito concreto do meu trabalho, quase tudo está por definir; a pergunta que arriscaria fazer neste momento seria: “Qual a influência dos factores estéticos na experiência de uso de um interface gráfico?”

 

(Restantes perguntas/respostas para muito breve)


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