16 Outubro 2009

 Car@s,

 

O meu nome é Ivo Daniel, e este blog será um retrato pouco pessoal da minha passagem pelo 2.º ano do Mestrado de Comunicação Multimédia do Departamento de Comunicação e Arte, Universidade de Aveiro. Estando eu pouco habituado a expressar-me através deste meio, vou esforçar-me para que as intervenções aqui feitas sejam relevantes, interessantes ou, pelo menos, inteligíveis.

 

De acordo com aquilo que presumo vir a ser uma situação recorrente ao longo deste ano, abaixo dou resposta às questões lançadas pela Orientação de Mestrado, isto é, já fora do prazo:

 

· Porque escolhi esta temática?

 

O tema escolhido, e que adiante descrevo, parte de inquietações que tenho vindo a desenvolver tanto no exercício da minha actividade como designer gráfico como, acima de tudo, de pessoa que retira prazer no uso de artefactos do quotidiano bem desenhados.

 

Desde o acordar, a imensa quantidade de objectos que me rodeia e dos quais necessito para a minha rotina influencia, invariavelmente (mesmo de forma inconsciente) a minha maneira de estar – ainda que estando perfeitamente consciente da sua utilidade e funcionalidade. A roupa com que saio de manhã de casa é um bom exemplo disso: sei objectivamente quais as peças que me irão proteger melhor do frio, ou do calor, dependendo da situação meteorológica que irei enfrentar. Mas também sei que a roupa tem uma influência mais subjectiva, emocional, na maneira como me vou sentir nesse dia: mais ou menos confiante, mais ou menos descontraído. O benefício que retiro em utilizar uma combinação que me agrade, que esteja de acordo com as minhas referências estéticas, vai muito mais além do que a mera eficácia do material com que a roupa é feita ou do rigor com que é fabricada.

 

O conceito de que os valores estéticos dos artefactos possuem propriedades emocionais, e que essas propriedades alteram necessariamente a nossa forma de agir e tomar decisões é uma ideia arredada de grande parte da história do estudo do Human Computer Interaction. Disciplina originária na área da Engenharia Informática, o estudo do HCI (bem como de disciplinas derivadas, como a Usabilidade) tem-se focado no estudo de factores que aumentem a eficácia do uso de interfaces informáticos, tendo sido produzida imensa literatura onde se discorrem regras, heurísticas e guidelines que, se seguidas como se de receitas se tratassem, necessariamente criariam interfaces mais usáveis.

 

O pressuposto da maior parte da literatura HCI, e que acredito estar incorrecto, é que o de uso de um interface por parte de uma pessoa (vou começar a evitar o termo “utilizador”) é um processo essencialmente racional, que é possível definir através do controlo de variáveis quantificáveis. No entanto, investigações actuais em várias disciplinas (como a psicologia e a neurologia) avançam no sentido de confirmar que o processo humano de tomada de decisão é muito mais influenciado por factores emocionais do que inicialmente se suspeitaria. O que na disciplina do design já se sabe há muito (se bem que de forma intuitiva) deve também fazer parte do estudo do HCI: o belo e o agradável têm uma influência definitiva na experiência final que uma pessoa tem no uso de um interface. E eis o motivo da escolha do meu tema: interesse em compreender de uma forma mais rigorosa uma atitude imprescindível na actividade de um designer de interfaces: a preocupação , intuitiva ou explícita, em criar interfaces não apenas usáveis, mas também desejáveis.

 

· Qual a pergunta de partida da minha investigação?

Relativamente à definição do âmbito concreto do meu trabalho, quase tudo está por definir; a pergunta que arriscaria fazer neste momento seria: “Qual a influência dos factores estéticos na experiência de uso de um interface gráfico?”

 

(Restantes perguntas/respostas para muito breve)


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